Introdução
à Prescrição Racional de Antibióticos. Parte III.
SÉTIMO SEMESTRE DO CURSO DE MEDICINA. Aulas - Neste seguimento
disponibilizaremos as aulas-teóricas para o curso para que sirvam como roteiro
de estudo. Farmacologia – Antibióticos.
Programa Sugerido para o 7º período.
Introdução à Prescrição Racional de Antibióticos.
Penicilinas.
A penicilina G
é um antibiótico natural
derivado de um fungo, o bolor do pão Penicillium chrysogenum (ou P. notatum). Ela foi descoberta em 15 de setembro de 1928 pelo médico e bacteriologista escocês, Alexander
Fleming e está disponível
como fármaco desde 1941, sendo o primeiro
antibiótico a ser utilizado com sucesso.
Antibiótico é nome genérico dado a uma substância que tem capacidade de interagir
com micro-organismos unicelulares
ou com seres pluricelulares que causam infecções no organismo. Os antibióticos interferem com
os micro-organismos, matando-os ou inibindo seu metabolismo e/ou sua
reprodução, permitindo ao sistema imunológico combatê-los com maior eficácia. O
termo antibiótico tem sido utilizado de modo mais restrito para indicar
substâncias que atingem bactérias, embora possa ser utilizado em sentido mais amplo
(contra fungos, por exemplo). Ele pode ser bactericida, quando tem efeito letal sobre a bactéria ou bacteriostático, se interrompe a sua reprodução ou inibe seu
metabolismo. As primeiras substâncias descobertas eram produzidas por fungos, como a penicilina. Atualmente são sintetizados ou alterados em
laboratórios farmacêuticos e têm a capacidade de impedir ou dificultar a
manutenção de um certo grupo de células vivas. Os antibióticos são fármacos que
se utilizam para tratar as infecções bacterianas. Infelizmente, são cada vez
mais as bactérias que desenvolvem resistências contra os antibióticos com que
atualmente contamos. Esta resistência forma-se, em parte, dado o uso excessivo
dos mesmos antibióticos. Como conseqüência, está-se constantemente a
desenvolver novos antibióticos para combater bactérias cada vez mais
resistentes. Mas, por último, as bactérias também se tornarão resistentes a
esses antibióticos mais recentes. Os antibióticos são classificados de acordo
com a sua potência. Os antibióticos bactericidas destroem as bactérias,
enquanto os antibióticos bacteriostáticos evitam apenas que aquelas se
multipliquem e permitem que o organismo elimine as bactérias resistentes. Para
a maioria das infecções, ambos os tipos de antibióticos parecem igualmente
eficazes; porém, se o sistema imunitário está enfraquecido ou a pessoa tem uma
infecção grave, como uma endocardite bacteriana ou uma meningite, um
antibiótico bactericida costuma ser mais eficaz. Os médicos podem optar por um
antibiótico para tratar uma infecção em particular baseando-se na suposição de
qual seja, segundo eles, o agente responsável pelo processo. Por seu lado, o
laboratório pode identificar taxonomicamente a bactéria infectante e, com isso,
ajudar o médico a escolher o antibiótico. No entanto, essas provas
laboratoriais tardam habitualmente um ou dois dias a dar os seus resultados e,
por conseqüência, não podem ser utilizadas para optar pelo tratamento inicial.
Além disso, mesmo que se tenha identificado o agente e se tenha determinado em
laboratório a sua sensibilidade aos antibióticos, a escolha do fármaco não é
tão simples assim. As sensibilidades que se detectam no laboratório nem sempre
correspondem às que se apresentam no paciente infectado. A eficácia do
tratamento depende de fatores como o grau de absorção do medicamento pela
corrente sanguínea, da quantidade do mesmo que alcança os diversos fluidos
corporais e de qual a velocidade com que o organismo o elimina. A seleção de um
fármaco tem ainda de levar em conta a natureza e gravidade da doença, os
efeitos secundários que provoca, a possibilidade de alergias e outras reações
graves e o custo financeiro do mesmo. Em certos casos é necessário recorrer a
uma associação de antibióticos para tratar infecções graves, em particular
quando se desconhece ainda a sensibilidade da bactéria aos mesmos. As
associações também são importantes para certas infecções, como a tuberculose,
em que as bactérias desenvolvem rapidamente resistência à administração de uma
droga isolada. Por vezes, a junção de duas delas tem um efeito mais poderoso e
estas associações podem ser utilizadas para tratar infecções causadas por
bactérias que se mostram difíceis de erradicar, como as Pseudomonas. Nas infecções
bacterianas graves, os antibióticos são habitualmente administradas primeira
através de injeção, geralmente endovenosa. Quando a infecção está dominada,
pode dar-se por via oral. Os antibióticos devem ser ingeridos até que o
microrganismo infectante seja eliminado do corpo, um processo que pode requerer
vários dias após o desaparecimento dos sintomas. Parar o tratamento demasiado
cedo pode provocar uma recaída ou então estimular o desenvolvimento de
bactérias resistentes. Por essa razão, os antibióticos são habitualmente
ingeridos durante vários dias após ter desaparecido toda a evidência de
infecção. Certos antibióticos são utilizados para tratar infecções por
rickettsias, que são microrganismos semelhantes quer às bactérias, quer aos
vírus. As rickettsias
são de menor dimensão que as primeiras, porém maiores que os segundos. À
semelhança dos vírus, só podem sobreviver dentro das células de outro
organismo, mas, como as bactérias, são vulneráveis aos antibióticos.
Especificamente, os mais eficazes contra as infecções causadas por rickettsias
são o cloranfenicol e as tetraciclinas. Os antibióticos são usados não só para
tratar infecções, como também para as prevenir. Para que resulte eficaz, e com
a finalidade de evitar que as bactérias desenvolvam resistências, a terapêutica
preventiva deve ser de curta duração e o antibiótico deve ser ativo contra
aquela bactéria em particular. Um exemplo de terapêutica preventiva consiste em
tomar antibióticos enquanto se viaja, para evitar a diarreia do viajante. Da
mesma forma, essa terapêutica é usada em pessoas expostas a alguém com
meningite por meningococo, devido ao risco de contágio. As pessoas com válvulas
cardíacas anormais ingerem preventivamente antibióticos de forma habitual antes
de uma intervenção cirúrgica, incluindo a cirurgia dentária. Estes indivíduos
têm um risco acrescido de contrair uma infecção das válvulas cardíacas
(endocardite) por bactérias que se encontram normalmente na boca e em outras
partes do corpo. As referidas bactérias podem ingressar na corrente sanguínea
durante a cirurgia e atingir as válvulas cardíacas danificadas. Os antibióticos
de tipo preventivo também podem ser ingeridos pelos indivíduos cujo sistema
imunitário não seja totalmente eficiente, como aqueles que sofrem de leucemia,
os que recebem quimioterapia para tratar um cancro e ainda os doentes de SIDA.
Por outro lado, as pessoas saudáveis que se submetem a cirurgias com elevado
riscam de infecção (como a grande cirurgia ortopédica ou a intestinal) também
os podem tomar. Infelizmente, os antibióticos são muitas vezes usados sem que
exista uma razão forte para tal. Por exemplo, são administrados com freqüência
incorretamente para tratar afecções virais, como constipações e gripe. Um
antibiótico pode provocar uma reação alérgica, como ocorre habitualmente com a
penicilina, ou então pode causar outros efeitos secundários. Por exemplo, os
aminoglicosidos podem lesar os rins e o ouvido interno. O tratamento
antibiótico pode ser mantido apesar dos efeitos colaterais, em particular se
for o único meio eficaz contra a infecção de que sofre o doente. O médico
avaliará comparando a importância desses efeitos com a gravidade da infecção.
|
Fármacos
anti-infecciosos: indicações e efeitos secundários |
||
|
Fármaco |
Indicações frequentes |
Efeitos secundários |
|
Antibióticos |
||
|
Aminoglicósidos |
Infecções causadas por bactérias gram-negativas, |
·
Perda
de audição, |
|
Cefalosporinas |
Ampla variedade de infecções. |
·
Perturbação
gastrointestinais ·
Náuseas
(se ao mesmo tempo se ingerir álcool). ·
Reacções
alérgicas. |
|
Macrólidos |
Infecções estreptocócicas, sífilis, infecções
respiratórias, infecções por micoplasmas, doença de Lyme. |
·
Náuseas,
vómitos e diarreia (especialmente com doses elevadas). ·
Icterícia. |
|
Penicilinas |
Ampla variedade de infecções. A penicilina é
utilizada em infecções estreptocócicas, sífilis e doença de Lyme. |
·
Perturbação
gastrointestinal e diarreia. ·
Alergia
com reacções anafilácticas graves. ·
Lesão
cerebral e renal (rara). |
|
Polipéptidos |
Infecções do ouvido, olho e bexiga. |
·
Lesão
nervosa e renal (quando administrado através de injecção). |
|
Quinolonas |
Infecções das vias urinárias, prostatite
bacteriana, diarreia bacteriana, gonorreia. |
·
Náuseas
(pouco frequentes). |
|
Sulfonamidas |
Infecções das vias urinárias (excepto sulfacetamida
e mafenide); tópico em queimaduras. |
·
Náuseas,vómitos
e diarreia. ·
Alergia
(incluindo usa-se mafenide como erupções cutâneas). ·
Cálculos
renais. ·
Insuficiência
renal. ·
Diminuição
do número de glóbulos brancos. ·
Sensibilidade
à luz solar. |
|
Tetraciclinas |
Sífilis, infecções por Chlamydia, doença de Lyme,
infecções causadas por micoplasma e rickettsias. |
·
Perturbação
gastrointestinal. ·
Sensibilidade
à luz solar. ·
Pigmentação
dentária. ·
Potencial
toxicidade para a mãe e para o feto durante a gravidez. |
|
Antibióticos vários. |
||
|
Aztreonam |
Infecções causadas por bactérias gram-negativas. |
·
Reacções
alérgicas. |
|
Cloranfenicol |
Febre tifóide e outras infecções por Salmonella,
meningite. |
·
Descida
grave do número de glóbulos brancos (rara). |
|
Clindamicina |
Infecções estreptocócicas, infecções
respiratórias,abcessos pulmonares. |
·
Diarreia
intensa. |
|
Etambutol |
Tuberculose. |
·
Lesão
ocular (reversível se travada a tempo) |
|
Imipenem |
Variedade muito ampla de infecções. |
·
Tensão
arterial temporariamente baixa, convulsões. |
|
Isoniazida |
Tuberculose. |
·
Lesão
hepática grave, mas reversível. ·
Alergia. |
|
Lincomicina |
Infecções estreptocócicas, infecções
respiratórias. |
·
Diarreia
intensa. |
|
Metronidazol |
Vaginite causada por Trichomonas ou Gardnerella,
infecções pélvicas e abdominais. |
·
Náuseas. ·
Dor de
cabeça. ·
Sabor
metálico. ·
Urina
escura. |
|
Nitrofurantoína |
Infecções das viasurinárias. |
·
Náuseas
e vómitos. ·
Alergia. |
|
Pirazinamida |
Tuberculose. |
·
Valores
elevados de ácido úrico no sangue. |
|
Rifampicina |
Tuberculose e lepra. |
·
Erupção
cutânea. ·
Hepatite. ·
Saliva,
suor, lágrimas e urina de cor vermelho-alaranjada. |
|
Espectinomicina |
Gonorreia. |
·
Alergia. ·
Febre. |
|
Vancomicina |
Infecções graves resistentes a outros
antibióticos. |
·
Arrepios
e febre (quando se administra por via endovenosa). |
|
Fármacos antivirais |
||
|
Aciclovir |
Herpes simples, herpes zóster e varicela. |
·
Confusão,
covulsões ou coma (com perfusão endovenosa). ·
Efeitos
colaterais pequenos quando usado topicamente. |
|
Amantadina |
Gripe (prevenção). |
·
Nervosismo. ·
Enjoo. ·
Dificuldade
em falar. ·
Instabilidade. |
|
Didanosina (ddI) |
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. |
·
Lesão
de nervos periféricos, inflamação do pâncreas. |
|
Foscarnet |
Citomegalovírus, infecções por herpes simples. |
·
Lesão
renal. ·
Convulsões. |
|
Ganciclovir |
Herpes zóster, herpes simples e infecções porcitomegalovírus. |
·
Tóxico
para os precursores medulares das células |
|
Idoxuridina |
Úlceras por herpes simples sobre a pele ou os
olhos. |
·
Irritação,
dor e edema (quando aplicado sobre os olhos ou pálpebras). |
|
Indinavir |
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. |
·
Cálculos
renais. |
|
Interferão-alfa |
Tricoleucemia, sarcoma deKaposi, verrugas
genitais. |
·
Sintomas
semelhantes aos da gripe (febre, dores musculares, dor de cabeça, cansaço). ·
Náuseas
e diarreia. |
|
Lamivudina (3TC) |
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. |
·
Lesão
de nervos periféricos, alopecia. |
|
Ribavirina |
Infecção respiratóriapelo vírus sincicial. |
·
Destruição
de glóbulos vermelhos que provoca anemia. |
|
Rimantidina |
Gripe (prevenção). |
·
Menos
efeitos secundários que a amantadina. |
|
Ritonavir |
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. |
·
Náuseas,
vómitos e diarreia. |
|
Saquinavir |
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. |
— |
|
Stavudina (d4T) |
Infecção pelo vírus daimunodeficiência humana. |
·
Lesão
de nervos periféricos. |
|
Trifluridina |
Herpes simples do olho. |
·
Ardor
nos olhos. ·
Edema
das pálpebras. |
|
Vidarabina |
Herpes simples e herpes zóster. |
·
Náuseas
e vómitos.Tremor (perfusão endovenosa). ·
Lesão
hepática e da medula óssea. ·
Os
efeitos colaterais são menores quando usado de forma tópica. |
|
Zalcitabina (ddC) |
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. |
·
Lesão
de nervos periféricos. |
|
Zidovudina (AZT) |
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. |
·
Tóxico
para os precursores medulares sanguíneas, o que pode provocar anemia e
problemas de coagulação. |
|
Fármacos antifúngicos |
||
|
Anfotericina B |
Variedade ampla de micoses (infecções fúngicas) |
·
Arrepios,
febre, dor de cabeça e vómitos. ·
Diminuição
dos valores de potássio no sangue. ·
Lesão
renal. |
|
Fluconazol |
Candida e outras infecções fúngicas. |
·
Menor
toxicidade hepática que o quetoconazol. |
|
Flucitosina |
Infecções por Candida e Cryptococcus. |
·
Lesão
renal e da medula óssea. |
|
Griseofulvina |
Infecções fúngicas da pele, cabelo e unhas. |
·
Erupção
cutânea. |
|
Itraconazol |
Candida e outras infecções fúngicas. |
·
Menor
toxicidade hepática que o quetoconazol. |
|
Quetoconazol |
Candida e outras infecções fúngicas. |
·
Bloqueia
a síntese da testosterona e do cortisol. ·
Toxicidade
hepática. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário