quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Introdução à Prescrição Racional de Antibióticos. Parte III. Penicilinas.

 

Introdução à Prescrição Racional de Antibióticos. Parte III.      

SÉTIMO SEMESTRE DO CURSO DE MEDICINA. Aulas - Neste seguimento disponibilizaremos as aulas-teóricas para o curso para que sirvam como roteiro de estudo.  Farmacologia – Antibióticos. Programa Sugerido para o 7º período.

Introdução à Prescrição Racional de Antibióticos.

Penicilinas.

penicilina G é um antibiótico natural derivado de um fungo, o bolor do pão Penicillium chrysogenum (ou P. notatum). Ela foi descoberta em 15 de setembro de 1928 pelo médico e bacteriologista escocês, Alexander Fleming e está disponível como fármaco desde 1941, sendo o primeiro antibiótico a ser utilizado com sucesso.

Antibiótico é nome genérico dado a uma substância que tem capacidade de interagir com micro-organismos unicelulares ou com seres pluricelulares que causam infecções no organismo. Os antibióticos interferem com os micro-organismos, matando-os ou inibindo seu metabolismo e/ou sua reprodução, permitindo ao sistema imunológico combatê-los com maior eficácia. O termo antibiótico tem sido utilizado de modo mais restrito para indicar substâncias que atingem bactérias, embora possa ser utilizado em sentido mais amplo (contra fungos, por exemplo). Ele pode ser bactericida, quando tem efeito letal sobre a bactéria ou bacteriostático, se interrompe a sua reprodução ou inibe seu metabolismo. As primeiras substâncias descobertas eram produzidas por fungos, como a penicilina. Atualmente são sintetizados ou alterados em laboratórios farmacêuticos e têm a capacidade de impedir ou dificultar a manutenção de um certo grupo de células vivas. Os antibióticos são fármacos que se utilizam para tratar as infecções bacterianas. Infelizmente, são cada vez mais as bactérias que desenvolvem resistências contra os antibióticos com que atualmente contamos. Esta resistência forma-se, em parte, dado o uso excessivo dos mesmos antibióticos. Como conseqüência, está-se constantemente a desenvolver novos antibióticos para combater bactérias cada vez mais resistentes. Mas, por último, as bactérias também se tornarão resistentes a esses antibióticos mais recentes. Os antibióticos são classificados de acordo com a sua potência. Os antibióticos bactericidas destroem as bactérias, enquanto os antibióticos bacteriostáticos evitam apenas que aquelas se multipliquem e permitem que o organismo elimine as bactérias resistentes. Para a maioria das infecções, ambos os tipos de antibióticos parecem igualmente eficazes; porém, se o sistema imunitário está enfraquecido ou a pessoa tem uma infecção grave, como uma endocardite bacteriana ou uma meningite, um antibiótico bactericida costuma ser mais eficaz. Os médicos podem optar por um antibiótico para tratar uma infecção em particular baseando-se na suposição de qual seja, segundo eles, o agente responsável pelo processo. Por seu lado, o laboratório pode identificar taxonomicamente a bactéria infectante e, com isso, ajudar o médico a escolher o antibiótico. No entanto, essas provas laboratoriais tardam habitualmente um ou dois dias a dar os seus resultados e, por conseqüência, não podem ser utilizadas para optar pelo tratamento inicial. Além disso, mesmo que se tenha identificado o agente e se tenha determinado em laboratório a sua sensibilidade aos antibióticos, a escolha do fármaco não é tão simples assim. As sensibilidades que se detectam no laboratório nem sempre correspondem às que se apresentam no paciente infectado. A eficácia do tratamento depende de fatores como o grau de absorção do medicamento pela corrente sanguínea, da quantidade do mesmo que alcança os diversos fluidos corporais e de qual a velocidade com que o organismo o elimina. A seleção de um fármaco tem ainda de levar em conta a natureza e gravidade da doença, os efeitos secundários que provoca, a possibilidade de alergias e outras reações graves e o custo financeiro do mesmo. Em certos casos é necessário recorrer a uma associação de antibióticos para tratar infecções graves, em particular quando se desconhece ainda a sensibilidade da bactéria aos mesmos. As associações também são importantes para certas infecções, como a tuberculose, em que as bactérias desenvolvem rapidamente resistência à administração de uma droga isolada. Por vezes, a junção de duas delas tem um efeito mais poderoso e estas associações podem ser utilizadas para tratar infecções causadas por bactérias que se mostram difíceis de erradicar, como as Pseudomonas. Nas infecções bacterianas graves, os antibióticos são habitualmente administradas primeira através de injeção, geralmente endovenosa. Quando a infecção está dominada, pode dar-se por via oral. Os antibióticos devem ser ingeridos até que o microrganismo infectante seja eliminado do corpo, um processo que pode requerer vários dias após o desaparecimento dos sintomas. Parar o tratamento demasiado cedo pode provocar uma recaída ou então estimular o desenvolvimento de bactérias resistentes. Por essa razão, os antibióticos são habitualmente ingeridos durante vários dias após ter desaparecido toda a evidência de infecção. Certos antibióticos são utilizados para tratar infecções por rickettsias, que são microrganismos semelhantes quer às bactérias, quer aos vírus.  As rickettsias são de menor dimensão que as primeiras, porém maiores que os segundos. À semelhança dos vírus, só podem sobreviver dentro das células de outro organismo, mas, como as bactérias, são vulneráveis aos antibióticos. Especificamente, os mais eficazes contra as infecções causadas por rickettsias são o cloranfenicol e as tetraciclinas. Os antibióticos são usados não só para tratar infecções, como também para as prevenir. Para que resulte eficaz, e com a finalidade de evitar que as bactérias desenvolvam resistências, a terapêutica preventiva deve ser de curta duração e o antibiótico deve ser ativo contra aquela bactéria em particular. Um exemplo de terapêutica preventiva consiste em tomar antibióticos enquanto se viaja, para evitar a diarreia do viajante. Da mesma forma, essa terapêutica é usada em pessoas expostas a alguém com meningite por meningococo, devido ao risco de contágio. As pessoas com válvulas cardíacas anormais ingerem preventivamente antibióticos de forma habitual antes de uma intervenção cirúrgica, incluindo a cirurgia dentária. Estes indivíduos têm um risco acrescido de contrair uma infecção das válvulas cardíacas (endocardite) por bactérias que se encontram normalmente na boca e em outras partes do corpo. As referidas bactérias podem ingressar na corrente sanguínea durante a cirurgia e atingir as válvulas cardíacas danificadas. Os antibióticos de tipo preventivo também podem ser ingeridos pelos indivíduos cujo sistema imunitário não seja totalmente eficiente, como aqueles que sofrem de leucemia, os que recebem quimioterapia para tratar um cancro e ainda os doentes de SIDA. Por outro lado, as pessoas saudáveis que se submetem a cirurgias com elevado riscam de infecção (como a grande cirurgia ortopédica ou a intestinal) também os podem tomar. Infelizmente, os antibióticos são muitas vezes usados sem que exista uma razão forte para tal. Por exemplo, são administrados com freqüência incorretamente para tratar afecções virais, como constipações e gripe. Um antibiótico pode provocar uma reação alérgica, como ocorre habitualmente com a penicilina, ou então pode causar outros efeitos secundários. Por exemplo, os aminoglicosidos podem lesar os rins e o ouvido interno. O tratamento antibiótico pode ser mantido apesar dos efeitos colaterais, em particular se for o único meio eficaz contra a infecção de que sofre o doente. O médico avaliará comparando a importância desses efeitos com a gravidade da infecção.

Fármacos anti-infecciosos: indicações e efeitos secundários

Fármaco

Indicações frequentes

Efeitos secundários

Antibióticos

Aminoglicósidos
Amicacina
Gentamicina 
Canamicina 
Neomicina
Estreptomicina
Tobramicina

Infecções causadas por bactérias gram-negativas,
como a Escherichia coli 
e a Klebsiella.

·         Perda de audição,
vertigem e lesão renal.

Cefalosporinas 
Cefaclor 
Cefadroxilo
Cefazolina
Cefixime 
Cefoperazona
Cefotaxima
Cefotetan
Cefoxitina
Ceftazidima
Ceftriaxona
Cefuroxima
Cefalexina
Cefalotina
Loracarbef

Ampla variedade de infecções.

·         Perturbação gastrointestinais
e diarreia.

·         Náuseas (se ao mesmo tempo se ingerir álcool).

·         Reacções alérgicas.

Macrólidos 
Azitromicina 
Claritromicina Eritromicina 
Troleandomicina 

Infecções estreptocócicas, sífilis, infecções respiratórias, infecções por micoplasmas, doença de Lyme.

·         Náuseas, vómitos e diarreia (especialmente com doses elevadas).

·         Icterícia. 

Penicilinas 
Amoxicilina 
Ampicilina
Azlocilina 
Carbenicilina
Cloxacilina
Mezlocilina
Nafcilina
Penicilina
Piperacilina
Ticarcilina

Ampla variedade de infecções. A penicilina é utilizada em infecções estreptocócicas, sífilis e doença de Lyme. 

·         Perturbação gastrointestinal e diarreia.

·         Alergia com reacções anafilácticas graves.

·         Lesão cerebral e renal (rara).

Polipéptidos 
Bacitracina 
Colistina 
Polimixina B

Infecções do ouvido, olho e bexiga. 
Em geral aplicam-se directamente no olho ou inalam-se como aerossol; raramente se administram através de injecção.

·         Lesão nervosa e renal (quando administrado através de injecção).

Quinolonas 
Ciprofloxacina 
Enoxacina 
Norfloxacina 
Ofloxacina

Infecções das vias urinárias, prostatite bacteriana, diarreia bacteriana, gonorreia.

·         Náuseas (pouco frequentes).

Sulfonamidas 
Mafenide 
Sulfacetamida 
Sulfametizol 
Sulfametoxazol
Sulfasalazina
Sulfisoxazol 
Trimetoprim-
-sulfametoxazol

Infecções das vias urinárias (excepto sulfacetamida e mafenide); tópico em queimaduras.

·         Náuseas,vómitos e diarreia.

·         Alergia (incluindo usa-se mafenide como erupções cutâneas).

·         Cálculos renais.

·         Insuficiência renal.

·         Diminuição do número de glóbulos brancos.

·         Sensibilidade à luz solar. 

Tetraciclinas 
Doxiciclina 
Minociclina 
Tetraciclinas

Sífilis, infecções por Chlamydia, doença de Lyme, infecções causadas por micoplasma e rickettsias.

·         Perturbação gastrointestinal.

·         Sensibilidade à luz solar.

·         Pigmentação dentária.

·         Potencial toxicidade para a mãe e para o feto durante a gravidez.

Antibióticos vários.

Aztreonam

Infecções causadas por bactérias gram-negativas.

·         Reacções alérgicas.

Cloranfenicol

Febre tifóide e outras infecções por Salmonella, meningite.

·         Descida grave do número de glóbulos brancos (rara).

Clindamicina

Infecções estreptocócicas, infecções respiratórias,abcessos pulmonares.

·         Diarreia intensa.

Etambutol

Tuberculose.

·         Lesão ocular (reversível se travada a tempo)

Imipenem

Variedade muito ampla de infecções.

·         Tensão arterial temporariamente baixa, convulsões.

Isoniazida

Tuberculose.

·         Lesão hepática grave, mas reversível.

·         Alergia.

Lincomicina

Infecções estreptocócicas, infecções respiratórias.

·         Diarreia intensa.

Metronidazol

Vaginite causada por Trichomonas ou Gardnerella, infecções pélvicas e abdominais.

·         Náuseas.

·         Dor de cabeça.

·         Sabor metálico.

·         Urina escura.

Nitrofurantoína

Infecções das viasurinárias.

·         Náuseas e vómitos.

·         Alergia.

Pirazinamida

Tuberculose.

·         Valores elevados de ácido úrico no sangue.

Rifampicina

Tuberculose e lepra.

·         Erupção cutânea.

·         Hepatite.

·         Saliva, suor, lágrimas e urina de cor vermelho-alaranjada.

Espectinomicina

Gonorreia.

·         Alergia.

·         Febre.

Vancomicina

Infecções graves resistentes a outros antibióticos.

·         Arrepios e febre (quando se administra por via endovenosa).

Fármacos antivirais

Aciclovir

Herpes simples, herpes zóster e varicela.

·         Confusão, covulsões ou coma (com perfusão endovenosa).

·         Efeitos colaterais pequenos quando usado topicamente.

Amantadina

Gripe (prevenção).

·         Nervosismo.

·         Enjoo.

·         Dificuldade em falar.

·         Instabilidade.

Didanosina (ddI)

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana.

·         Lesão de nervos periféricos, inflamação do pâncreas.

Foscarnet

Citomegalovírus, infecções por herpes simples.

·         Lesão renal.

·         Convulsões.

Ganciclovir

Herpes zóster, herpes simples e infecções porcitomegalovírus.

·         Tóxico para os precursores medulares das células 
sanguíneas, o que pode provocar anemia e problemas de coagulação.

Idoxuridina

Úlceras por herpes simples sobre a pele ou os olhos.

·         Irritação, dor e edema (quando aplicado sobre os olhos ou pálpebras).

Indinavir

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana.

·         Cálculos renais.

Interferão-alfa

Tricoleucemia, sarcoma deKaposi, verrugas genitais.

·         Sintomas semelhantes aos da gripe (febre, dores musculares, dor de cabeça, cansaço).

·         Náuseas e diarreia.

Lamivudina (3TC)

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana.

·         Lesão de nervos periféricos, alopecia.

Ribavirina

Infecção respiratóriapelo vírus sincicial.

·         Destruição de glóbulos vermelhos que provoca anemia.

Rimantidina

Gripe (prevenção).

·         Menos efeitos secundários que a amantadina.

Ritonavir

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana.

·         Náuseas, vómitos e diarreia.

Saquinavir

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana.

Stavudina (d4T)

Infecção pelo vírus daimunodeficiência humana.

·         Lesão de nervos periféricos.

Trifluridina

Herpes simples do olho.

·         Ardor nos olhos.

·         Edema das pálpebras.

Vidarabina

Herpes simples e herpes zóster.
Infecção ocular: aplicação directa.
Infecção cerebral: perfusão endovenosa.

·         Náuseas e vómitos.Tremor (perfusão endovenosa).

·         Lesão hepática e da medula óssea.

·         Os efeitos colaterais são menores quando usado de forma tópica.

Zalcitabina (ddC)

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana.

·         Lesão de nervos periféricos.

Zidovudina (AZT)

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana.

·         Tóxico para os precursores medulares sanguíneas, o que pode provocar anemia e problemas de coagulação.

Fármacos antifúngicos

Anfotericina B

Variedade ampla de micoses (infecções fúngicas)

·         Arrepios, febre, dor de cabeça e vómitos.

·         Diminuição dos valores de potássio no sangue.

·         Lesão renal.

Fluconazol

Candida e outras infecções fúngicas.

·         Menor toxicidade hepática que o quetoconazol.

Flucitosina

Infecções por Candida e Cryptococcus.

·         Lesão renal e da medula óssea.

Griseofulvina

Infecções fúngicas da pele, cabelo e unhas.

·         Erupção cutânea.

Itraconazol

Candida e outras infecções fúngicas.

·         Menor toxicidade hepática que o quetoconazol.

Quetoconazol

Candida e outras infecções fúngicas.

·         Bloqueia a síntese da testosterona e do cortisol.

·         Toxicidade hepática.

 

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